11.2.12

A Vida em Tons de Cinza - Ruta Sepetys


Título: A Vida em Tons de Cinza
Autor(a): Ruta Sepetys
ISBN: 9788480410167
Editora: Arqueiro
Páginas: 240
Classificação 5/5  
1941. A União Soviética anexa os países bálticos. Desde então, a história de horror vivida por aqueles povos raras vezes foi contada. Aos 15 anos, Lina Vilkas vê seu sonho de estudar artes e sua liberdade serem brutalmente ceifados. Filha de um professor universitário lituano, ela é deportada com a mãe e o irmão para um campo de trabalho forçado na Sibéria. Lá, passam fome, enfrentam doenças, são humilhados e violentados. Mas a família de Lina se mostra mais forte do que tudo isso. Sua mãe, que sabe falar russo, se revela uma grande líder, sempre demonstrando uma infinita compaixão por todos e conseguindo fazer com que as pessoas trabalhem em equipe. No entanto, aquele ainda não seria seu destino final. Mais tarde, Lina e sua família, assim como muitas outras pessoas com quem estabeleceram laços estreitos, são mandadas, literalmente, para o fim do mundo: um lugar perdido no Círculo Polar Ártico, onde o frio é implacável, a noite dura 180 dias e o amor e a esperança talvez não sejam suficientes para mantê-los vivos. A vida em tons de cinza conta, a partir da visão de poucos personagens, a dura realidade enfrentada por milhões de pessoas durante o domínio de Stalin. Ruta Sepetys revela a história de um povo que foi anulado e que, por 50 anos, teve que se manter em silêncio, sob a ameaça de terríveis represálias. 


Estava tudo certo: quando completasse 16 anos, Lina Vilkas iria estudar artes na capital da Lituânia. Entretanto, não foi isso o que aconteceu. Em uma noite, Lina teve seus sonhos roubados pela NKVD.

Junto a milhares de outras, a família Vilkas é deportada de seu país com destino à Sibéria, onde seria obrigada a trabalhar dia e noite a troco de algumas cusparadas, agressões físicas e migalhas de pão.  Lá, lituanos, estonianos e letões foram presos e separados de seus parentes. Passaram fome e frio. Chegaram até a ser enterrados vivos para divertir os soviéticos. Viram pessoas queridas morrendo e morreram. 

No governo de Josef Stalin ninguém era poupado. Qualquer pessoa que fosse considerada uma ameaça para a União soviética poderia ser punida.


- "Ladrões e prostitutas" - sussurou Andrius. - É isso que está escrito.

Ladrões e prostitutas. Nossas mães estavam naquele vagão, assim como uma professora, uma bibliotecária, idosos e uma recém-nascida - ladrões e prostitutas. Jonas olhou para as palavras. Segurei sua mão, feliz por ele não saber ler russo. Desejei que ele tivesse ficado lá dentro.

No livro conhecemos personagens extremamente solidários, que amam sua pátria acima de tudo, e que nunca perderam as esperanças de reconquistar a liberdade de seu país. Mesmo com todos os problemas, o senso de humor quase nunca os faltava e muito menos a coragem.

Entretanto, é a coragem de Jonas Vilkas que se destaca. Apesar de ser apenas uma criança, Jonas poucas vezes aparentou ter medo e sempre estava pronto para ajudar a quem precisasse. Lina tinha uma forma diferente de escapar de tanto sofrimento: ela desenhava muito bem e era no papel que depositava todos os seus medos e anseios. 

Todos os personagens se tornaram muito especiais para mim. Até mesmo os mais ranzinzas. Mas tive carinho especialmente pelo pai de Lina e Jonas, Kostas, um homem sábio, equilibrado. Por Elena, a mãe, que sempre fez tudo que pode para proteger sua família e que abriu mão de possíveis privilégios em prol de seus amigos. E por Andrius, que várias vezes colocou sua vida em risco para que outras pessoas não morressem de fome e em quem Lina achou um motivo para seguir lutando.


-Olhe para mim - sussurrou Andrius, chegando mais perto -  Vou encontrar você - afirmou. - Basta que pense nisso. Pense em mim levando de volta seus desenhos. Imagine isso, porque estarei lá.

A narração ocorre em primeira pessoa, é feita por Lina. Durante o livro, Lina tem vários flashbacks, que ao final da estória a ajudam a entender o que aconteceu, por que ela e sua família tinham sido deportados.

Se eu tivesse que descrever o livro em apenas uma palavra ela seria ‘amor’. Pode parecer clichê, mas foi o amor que cada lituano sentia por sua pátria, família, por Deus e amigos que fez com que eles jamais desistissem de lutar por liberdade.

 A Vida em Tons de Cinza é muito mais que um livro de ficção. É um retrato, muito bem feito, da Europa e Ásia durante e após a Segunda Guerra Mundial. Por muitos anos pessoas como Lina e Jonas ansiaram pelo dia em que poderiam voltar para casa, quando todo o mundo descobriria como os soviéticos eram cruéis. Pelo dia em que ninguém mais tivesse que passar por todo o sofrimento que eles passaram.


Pode ser que o final tenha acontecido de forma rápida demais, mas pode ser também que eu só tenha achado isso porque não queria que a o livro acabasse. No mais, não tenho o que reclamar. A estória foi muito bem escrita. E se você ainda não leu, leia! Ruta desenvolveu um trabalho belíssimo, que merece ser reconhecido.

Agradeço à editora Arqueiro  por ter me cedido um livro tão bom e emocionante.

9 comentários:

Anderson Sampaio disse...

Estou looucoooooo para ler esse livro!

http://olhosleem.blogspot.com/

Anderson Sampaio disse...

Acabei de postar! Faz uma visita? http://olhosleem.blogspot.com/

Luana Feres disse...

Que deselegante. (Você entendeu, haha)

Sobre a resenha - que achei que ja tinha comentado -, ai Querol, fico tão feliz que tenha gostado do livro. Ele é muito bom, muito fiel e muito, muito triste. O Andrius é um lindo, quero casar. O livro que ele deu pra ela é tão romantico, queria que alguém fizesse isso para mim, mas enfim. Ótima resenha, sua fofa.

Raquel disse...

Não conhecia o livro, mas gostei muito da resenha, quero ler assim que possível :)
Fico triste quando leio esses livros, pq existiram muitas famílias com a vida interrompida como aconteceu com a família de Lina.

Igor Gouveia disse...

Olá, tudo bem? Espero que sim!

Acabei de conhecer o seu blog e adorei ter essa oportunidade. Gostei dele (: Estou seguindo tá? Prometo voltar mais vezes!

Também tenho um blog. Dá uma passadinha por lá ok? Te deixo o link:

http://25conto.blogspot.com

Abraços,
Igor Gouveia.

Leitura entre amigas disse...

Oii!!
Ainda não tive a oportunidade de ler esse livro, mas tudo indica que ele desperta muitas emoções.
Espero ter a oportunidade de lê-lo em breve, deve ser uma leitura inesquecivel!
Beijos!

Elidiane - Leitura entre amigas

Karine Marinho disse...

Esse é o tipo de livro que eu falo "eu sei que eu vou chorar" então fico com um pé atras para ler. E se eu não lê-lo no momento em que eu o receber ele fica para trás. Então mesmo com tooooodos os elogios que eu vejo sobre o livro não o comprarei tão cedo.
Beijos,K.
Girl Spoiled

Dalyla Carvalho disse...

Fiquei com água na boca para ler o livro! Seu blog é muuuito lindo! Dos blogs que tenho visitado, o seu é o que mais me agradou. :)
Pelo que vi no seu about você mora em Slz, eu já morei aí. Saudades da ilha...
Boa nooooite *-*
Beijos!
http://refugiopcional.blogspot.com/

Eduarda Menezes disse...

Oi Carolzinha, poxa sei que tenho que ler esse livro mas não consigo arranjar coragem! Sou uma maria mole e sei que irei chorar do começo ao final por a história ser muito forte! Talvez mais pra frente quando estiver mais preparada psicologicamente eu o pegue para ler, tenho certeza de que vale a pena!
Por mais que relate fatos super tristes e cruéis, acho que amor é uma boa palavra para descrever essa história afinal - isso levando em conta tudo que eu li!
Adorei o quote do Andrius, já fico emocionada sem nem ter lido a história huahaua
Beijos!

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